"Partout je vais je trouve un poèt a été là avant moi."(S.Freud)

julho 11, 2012

Lua Adversa


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

(Cecília Meireles)

abril 03, 2012

Tempo de Saudade




Tenho em mim saudade
daquele tempo em que a saudade,
embora fosse dorida,
tinha gosto de realidade.

Hoje se faz abstrata,
desbotada e sem sentido.
Saudade de um não sei quê,
do que nem se fora vivido.

Saudade assim não perdura,
o tempo só faz desgastar.
Lembrança, rota e sem cor,
imagem vaga a dissipar.

Fumaça solta no vento,
quimera, sem tom de verdade.
Queria , num breve momento,
vestida de atroz sentimento,
vibrar com o ardor da saudade.

Um toque de Neruda


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

(Pablo Neruda)

janeiro 20, 2012

AMOR DE TARDE




É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso dez minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.


É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.


É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.


(Mario Benedetti)

janeiro 15, 2012

Poema que Aconteceu




Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

[Carlos Drummond de Andrade]

** Uma regalo para o Domingo que aconteceu e se foi.**.

Mais um toque de Lorca...



Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.


Se as minhas mãos pudessem desfolhar





Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!

Frederico Garcia Lorca


setembro 29, 2011

Poema de Quirino



"O homem é um grão na imensidão da Terra
E num erra quem diz que a Terra inteira
É um grão de poeira no Universo
E que meu verso é nada comparado a tais grandeza.

Mas digo com certeza,
Meu verso comparado a vida
Tem alto valor
Pois há de ficar quando minha vida se for.

Então me respondam por favor:
Qual o valor mais alto,
O Universo, a Terra,
A Vida, ou o Verso?

É verdade que o homem
É um grão na imensidão da Terra.
Mas é um grão que guarda em si
A Vida, o Amor e o Verso.

Então se dá o reverso,
O grão de pó ganha grandeza
E nós ganhamos a certeza
Que a poesia indica:
As era do Universo passa...
E o homem que ama fica."









março 18, 2011

Um trago de Neruda


A DANÇA
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.



[Pablo Neruda]

março 11, 2011

Dias de chuva...

"Teu sorriso é uma iluminação
nos dias encobertos de mim."

[K4AKIS & ROGER CAMARGO]

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fevereiro 28, 2011

Busca

A imaginação queimando em brasa
aquece meu gélido coração solitário.
Talvez não seja o melhor dos fogos, mas
é o que tenho e tê-lo me basta.
As minhas mãos procuram,
inútil busca, o que me arde habita n'alma.

[k4akis & Roger Camargo]

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fevereiro 22, 2011

Sonhos


Você consome e é consumido
pelos sonhos que sonha,
antes e depois de acordar.
Como sombras se apoderam
do que nunca foi delas,
mas lhe remetem à imagem
e a imagem remetida chega
a confundir, mas não é.
Como sombras, eu sei, porém
que sonhos são passageiros
como eu, que sou passageiro
dessa jornada mágica: vida.

[K4akis e Rogério Camargo]

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fevereiro 21, 2011

Nossa História



A nossa história tem um sabor de madrugadas limpas,
com ruas banhadas pela luz tênue da emoção
Conto nossa história para quem tenha ouvidos de estrelas,
boca de céu, cabeça nas nuvens e saiba sonhar.
A nossa história tem um aroma de grama lavada
e terra molhada. Manhãs de domingo ao sabor do ócio,
ócio ao sabor das manhãs de domingo e toda a vida
envolvida numa bruma leve, de olor doce,
silhueta delgada, suave como os sonhos de uma
noite de verão, numa madrugada limpa, banhada de luz.
Ouves a nossa história como eu ouço?
Uma história de sonho, um sonho de história.


[k4akis & Roger Camargo].

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fevereiro 18, 2011

Ano Novo

Pensamentos descompassados,
fluem na cadência dos passos,
preenchendo espaços
de memórias.
Revendo os dias idos,
acumular de anos vividos,
estremeço.
Repassando...Tudo igual.
Só meu passo,
agora, talvez,
mais lento.

[k4akis]



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Eclipse


A noite chegou como se as manhãs
não fossem certas e sedutoras.
A certeza e a sedução dão os braços
aos abraços. Eles recebem o que
nos é mais doce: o acolhimento.
Acolho momentos de mim e de ti
para que o nós, banhado em sol encontre a lua.
Ah, a lua encontrada, depois de perdida a
esmo, a dois se faz cheia e nos devora,
devora e devolve ao que somos, noite e
dia, seduzidos e distantes, à espera de um eclipse.

[K4akis & Rogério Camargo]





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janeiro 11, 2011

Ainda ontem de noite era noite e era
frio, apesar da luz dos seus olhos.
Havia dois sóis nos teus olhos, mas
mas tu'alma suspirava gélida.
Entendi que não entendi e então
ao invés querer entender, te aqueci.

[Roger & K4akis]



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dezembro 07, 2010

Dia Branco

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor

Oh! oh! oh...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo,
Comigo, comigo.

Composição: Geraldo Azevedo/ Renato Rocha

novembro 10, 2010

Uma vez foi pouco, quase nada. Então
quero mais do pouco que me deste.
Não sacio fácil. É difícil contentar o
corpo sedento com apenas uma dose
daquilo que é bom, muito bom, muito
que se torna nada ante o todo carente.
Não sacio fácil. Uma vez é pouco,
muito pouco ante de tudo que podemos
ter deixado passar. Passaste
tempo demais a pensar, agora age.
Não espero de ti nada que não tenhas
já colhido um dia em mim:
é assim contigo, é assim comigo, é assim
com a vida, em fluxo constante, movimento
que uma vez é pouco, quase nada.

(k4akis & Rogério Camargo)



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As cicatrizes da alma revelam
o que nenhuma fotografia ousa.

(k4akis & Rogério Camargo)


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Dueto... Poemas criados à "quatro mãos"



Era uma vez todas as vezes,
sendo todas elas únicas!
Era uma vez em que todas as vezes,
únicas e tantas, que se repetiam
até o infinito, pareciam não saber
que o limite era fato, apesar de abstrato.
Nessa vez que era, meu coração
desavisado, acostumado ao infinito
tentar estrelas, uma de cada vez.
Insaciável, desta vez , buscou a constelação
de uma estrela só, de só uma estrela.
e foi essa vez, única, melhor que todas.

(K4akis & Rogério Camargo)


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