"Partout je vais je trouve un poèt a été là avant moi."(S.Freud)
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abril 03, 2012

Tempo de Saudade




Tenho em mim saudade
daquele tempo em que a saudade,
embora fosse dorida,
tinha gosto de realidade.

Hoje se faz abstrata,
desbotada e sem sentido.
Saudade de um não sei quê,
do que nem se fora vivido.

Saudade assim não perdura,
o tempo só faz desgastar.
Lembrança, rota e sem cor,
imagem vaga a dissipar.

Fumaça solta no vento,
quimera, sem tom de verdade.
Queria , num breve momento,
vestida de atroz sentimento,
vibrar com o ardor da saudade.

fevereiro 18, 2011

Ano Novo

Pensamentos descompassados,
fluem na cadência dos passos,
preenchendo espaços
de memórias.
Revendo os dias idos,
acumular de anos vividos,
estremeço.
Repassando...Tudo igual.
Só meu passo,
agora, talvez,
mais lento.

[k4akis]



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março 02, 2010

Entre vida

Bom dia vida,

seja bem-vinda

vinda de onde for.

Traga o que trouxer

Entre,

minha casa,

outrora fechada

se abre

pra lhe receber.

N'ao repare

as cortinas rotas

o reboco solto

e no ar, esse mofo.

Apenas invada,

a porta ainda emperrada

te oferece fresta,

esprema-se

e adentre o recinto.

Prometo

arrumar a casa,

limpar os cantos,

reparar escombros.

Entre agora,

se voltar n`outra hora,

posso ter ido embora.


k4akis


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fevereiro 18, 2010

Trago de Dor


Trago em mim

as dores de viver.

todas elas

mesmo não suportando,

as carrego.

Melhor carregar o fardo

a me deixar oprimir.

Seguir,

mesmo que arrastando,

em vielas,

habitar na penumbra.

do abandono, do descaso.

Vil existência dos covardes

que gemem.

Em mim,

todas as mazelas,

todas as feridas

todos os erros

passiveis de pena,

passiveis de punição

passíveis de apreensão.

Trago a alma ferida,

coberta de pustula

gangrenada

pelo amor que viví.

Pago a pena

por respirar

a cada amanhecer,

mesmo vazio de sol.


kryss.

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fevereiro 12, 2010

A dor


A dor.
O que é dor?
Não se vê, não se toca.
Apenas sente.
E quem sente, geme.
E quem geme, chora.
Chora e sangra
a alma
de quem vive...
A dor.
Que dói e corrói.
Atropela o riso,
dilacera o viço,
torna roto o rosto,
a alma
a vida
de quem sente...
A dor.
Do ardor do amor,
doador do amar,
do outrora amor,
agora só
A dor.



k4akis
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outubro 17, 2009

Amo porque quero. Não posso...

E por que te amo?
Te amo porque te amando
também me amo.
E me amando sou forte
e sendo forte suporto...
A falta,
a ausência,
a distância,
a incoerência
de se amar de longe
de se desejar perto
o que enxerga
à distância de um suspiro,
ao suspiro de um toque
ao tocar dos olhos,
o amor...
Que se perde no vácuo
que evade no espaço,
que reina absoluto na contradição
o meu querer amar
e o seu poder...

by K4akis


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agosto 30, 2009

Blind Date


Por caminhos tortuosos,
entrega-se à escuridão,
de lugares obscuros,
grutas do coração, recantos tenebrosos.

Guiados só pelo instinto onde se pode chegar?
Acaso é certo o porto, um corpo onde ancorar?

No escuro as densas trevas turvam a visão,

os desejos são enganosos,
tramam contra a razão.

Instintos tão viscerais,
são perigosos
,
artimanhas da paixão,
inimigos ardilosos... Não!
Deixa a razão acordar,
espera alvorecer.

Foge da escuridão!

by k4akis



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agosto 13, 2009

Nuvens em mim...


Debaixo da nuvem de poeira
vasculho tentando encontrar,
algo que enfim valha:
o resgate,
a restauração,
a manutenção,
a imersão
na nuvem enfim.

Debaixo da nuvem de poeira
vasculho tentando encobrir,
moral que insufla,
beijo asséptico,
face simétrica
de perfil assimétrico
que não quero refletido
no aço do espelho
manchado de janeiros.

Debaixo da nuvem de poeira
vasculho tentando aflorar
dos sonhos, o esqueleto,
da videira, o jirau
da poesia, o varal,
dos contos, as contas,
dos pontos, a linha
do norte, a trilha
do inicio, o fim
que cada partícula
de poeira
flutuante, flutuando
leva de mim.

k4akis

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agosto 09, 2009

Adoro Pau mole!

Adoro pau mole.

Assim mesmo.

Não bebo mate

não gosto de água de coco

não ando de bicicleta

não vi ET

e A-d-o-r-o pau mole.

.

Adoro pau mole

pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.

Adoro pau mole

porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade

que eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo

(que é intrínseca e automaticamente

- ainda que talvez um pouco antecipadamente)

sempre um pré-sexo também.

Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.

E dentro dele,

em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,

que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.

MARIA REZENDE

junho 28, 2009

Noite alta


Quando a noite se põe alta
e não há estrelas ou luzes,
busco o clarão de teu sorriso
a guiar-me às cegas
pela terra envolta em trevas.
Sorriso fácil de um riso sonoro
cujo som se repete na memória.
Sigo os ecos do seu gargalhar,
mesmo sabendo que a rota
embora sonora, não se faz reta.
E me aventuro a cada curva,
onde o destino não importa
se o trilhar for contigo.
Mesmo à distância,
numa realidade turva
de um trilhar junto
que se faz irreal...



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junho 13, 2009

Adentrando ao Céu...






No vasto do teu universo,
uno prosa e verso,
para encanto meu.
Neste recanto teu,
outrora corpo,
permita-me repousar
e criar meus poemas.

Meu corpo, outro universo,
nas marcas trago
caminho impresso
do refúgio teu.
Permito-lhe adentrar-me.
E entrelaçar sua arte
em minhas rimas.

Adentrando,
resoluto, em riste
penetras...Infinito,
o céu não mais
delimita.
Teu mundo agora habita
nos recônditos recantos meus.
Uno teu verso ao meu reverso,
ocupamos o mesmo espaço
neste vasto universo.
atados em nós e livres
do mundo, sem limites
nos entregamos a arte de amar.


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junho 11, 2009

Noite úmida


Anoiteceu ...

Uma noite úmida,

Nós úmidos, unidos e a sós.

Eu molhada de ti.

Você encharcado de mim.

O quarto inebriado de nós.

Em cena cansaço e olor,

exaustão vem envolver

os corpos atados que pendem,

num sereno adormecer.


Amanheceu ...

Corpos agora sedentos

de água e beijos.

Resquício da noite,

as marcas no leito,

os beijos na mente

Os corpos se tocam,

tangem e vibram.

O corpo é fonte,

de água vertente,

que escorre em filete tímido,

em cachoeira deságua,

O dia em nós será úmido... 

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maio 27, 2009

Inconfessável...


Inconfessável...

O que me traduz,

aquilo que amo

ou o que me seduz?

Aquilo que odeio

ou tento em vão odiar?

E tentando odiar,

dispendo tanto tempo pensando,

que por fim acabo amando,

mesmo não querendo,

ou tentando não querer.

Amando o que não quero,

querendo o que não possuo

possuindo o que não desejo,

desejando o que não tenho.

Vivendo em pleno desencontro,

me encontrando na incompletude,

caminhando entre sonhos soltos,

arrastando sentimentos presos

entre ataduras envoltos.

na completa quietude,

onde bradam meus segredos,

Inconfessáveis... 

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maio 21, 2009

Vulto



Tenho endereço mas não tenho casa,
falta-me pouso...
Vivo na casa mas não a habito,
falta-me ninho...
Deito na cama mas não durmo,
falta-me sono...
Como do prato mas não me alimento,
falta-me gosto...
Bebo da água mas persiste a sede,
falta-me a fonte...
Escrevo um poema mas não o leio,
falta-me ouvinte...
Cometo injúrias e não confesso,
falta-me cúmplice...
Compro a bebida mas não bebo,
falta-me parceiro...
Faço o sexo mas não me sacio,
falta-me amor...
Tenho... mas me sinto só,
falta-me... Só me falta.
Encontro-me entre tantos
mas sou só desencontro.
Penso mas não existo,
falta-me ser...
Estou onde não sou,
onde sou, não estou.
Sou só vulto,
apenas um vulto...

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